Empatia, altruísmo e compaixão

Emocionar-se com o sofrimento do outro, sofrer por ele estar sofrendo, ficar alegre quando ele está alegre e triste quando ele está aflito, demonstram ressonância emocional.

Por outro lado, distinguir as causas imediatas ou duradouras, superficiais ou profundas dos sofrimento do outro e ter a determinação de solucioná-los vêm da sabedoria e da compaixão “cognitiva”. Esta última está ligada à compreensão das causas do sofrimento. Com isso, sua dimensão é mais ampla e seus efeitos maiores.

Esses dois aspectos do altruísmo, emocional e cognitivo, são complementares e não constituem duas atitudes mentais separadas e estanques. Em algumas pessoas, num primeiro momento, o altruísmo ganha a forma de uma experiência emocional mais ou menos forte, suscetível de transformar-se em seguida em altruísmo cognitivo no momento em que a pessoa começa a analisar as causas do sofrimento. No entanto, o altruísmo permanece restrito se for limitado unicamente ao componente emocional.

Matthieu Ricard, em “A revolução do altruísmo”, parte 1.