Ativismo compassivo

O que o movimento Ação para Felicidade teria de interessante para pessoas que já seguem algum caminho espiritual?

Diversos textos neste site explicam o que queremos, mas de um ponto de vista secular. Por exemplo:

Ao nos apresentarmos, falamos em grande parte para pessoas sem nenhuma religião ou fé específicas.

No entanto, nosso secularismo não é uma oposição à religião, mas sim algo que também abraça pessoas com qualquer afiliação religiosa. Esta noção particular de secularismo costuma ser usada, por exemplo, pelo Dalai Lama ao se referir ao governo da Índia: é um governo secular no sentido de que respeita igualmente todo tipo de fé, incluindo a não-fé.

O Dalai Lama é o patrono de nosso movimento não exatamente por ser um mestre espiritual realizado, mas sim por estar entre os maiores promotores da ética secular e valores humanos de modo universal.

Então o que teríamos a oferecer para quem já segue um caminho espiritual?

Em termos de satisfação e bem-estar pessoais, provavelmente não temos nada a acrescentar. Mas nosso movimento não é sobre alcançar mais felicidade pessoal, e sim sobre importar-se com a felicidade dos outros (e isso, inevitavelmente, afeta positivamente a própria felicidade).

Então, para pessoas que seguem um caminho espiritual, a Ação para Felicidade também pode ser uma rica plataforma de ação compassiva no mundo: somos também um movimento humanitário. E, para pessoas que estão preocupadas com o bem-estar alheio ou o alívio de seu sofrimento, atuar ativamente nesse sentido, incluindo a possibilidade de diversas ações em conjunto, pode ser uma ótima maneira de realizar essas aspirações.

Fé e ciência

Obviamente que nosso movimento não pretende ser um substituto para o caminho espiritual de ninguém. A ideia é nos unirmos por um bem comum.

junte-sePor exemplo, outro possível ponto de interesse para praticantes espirituais é que o conhecimento baseado em pesquisas científicas que divulgamos pode atuar como um contraponto útil — ou até reforço — para a fé, já que muitas dessas pesquisas confirmam os insights que pessoas de fé vêm realizando há séculos — por exemplo, sobre os benefícios do altruísmo ou meditação.

Ética secular

Uma das características de muitos praticantes espirituais mais experientes é que eles passam a falar menos em termos de suas próprias doutrinas, e mais de um modo que seja compreensível e acessível para um número maior de pessoas.

E o Dalai Lama não é o único. Muitos desses líderes vêm chamando a atenção para a necessidade de se promover valores humanos — como solidariedade e compaixão — entre pessoas sem fé. A ideia é desfazer o mal-entendido de que esses valores estão ligados à religião.

Por exemplo, hoje em dia, se alguém chegar em uma roda de amigos descrentes e dizer que está tentando ser mais amoroso com o próximo, instantaneamente as outras pessoas vão imaginar que ela se converteu para alguma religião, encontrou um “guru” etc. Quando na verdade, amor ao próximo é um valor ético básico, independente de crenças.

O fato de que valores humanos como compaixão estão sendo rejeitados e descartados, por serem confundidos com religião, é um problema moderno com que diversas pessoas — incluindo muitos praticantes espirituais — se preocupam, já que isso contribui para uma sociedade menos humana. Não é uma questão de converter ninguém para um sistema religioso moral, mas sim de promover a ética secular, um conjunto de valores humanos totalmente independente de doutrinas espirituais.

Esse é um dos objetivos centrais da Ação para Felicidade, sendo portanto também uma área de atuação em que seguidores espirituais podem ter entusiasmado interesse.

(este texto se refere mais a uma visão pessoal do autor)

Imagem: Minette, Flickr/CC.