O que nos faz egoístas ou altruístas?

A diferença entre o altruísmo e o egoísmo não se deve portanto ao fato de ser eu que deseje alguma coisa, mas à natureza de meu desejo, que pode ser benevolente, malevolente ou neutra. Posso desejar o bem dos outros, como posso desejar o meu. O egoísmo não consiste só em desejar algo, mas em satisfazer os desejos exclusivamente centrados nos interesses pessoais, sem levar em consideração os interesses dos outros.

O ponto de inflexão entre altruísmo e egoísmo deve-se portanto à natureza de nossa motivação. É nossa motivação, o objetivo último que queremos alcançar, que dá cor a nossos atos, ao determinar seu caráter altruísta ou egoísta. Estamos longe de dominar a evolução dos acontecimentos exteriores, mas quaisquer que sejam as circunstâncias, podemos sempre examinar nossas intenções e adotar uma atitude altruísta.

Matthieu Ricard, “A revolução do altruísmo”.

Imagem: Jacques-Louis David, "Bélisaire demandant l'aumône".

Importância das emoções positivas

“… Martin Seligman é um dos fundadores da Psicologia Positiva. Ele foi um dos primeiros psicólogos a despertar a atenção sobre o fato de que as emoções positivas tais como a alegria, o contentamento, a gratidão, o maravilhamento, o entusiasmo, a aspiração e o amor são bem mais que uma simples ausência de emoções negativas.

As emoções positivas comportam uma dimensão suplementar que não se reduz à neutralidade do espírito: elas são fonte de profundas satisfações. Isto significa que para florescer na vida não basta neutralizar as emoções negativas e perturbadoras, é preciso favorecer o desabrochar as emoções positivias.

Do ponto de vista da psicologia contemporânea, uma emoção é um estado mental muitas vezes intenso que não dura mais que alguns instantes, mas que é suscetível de se reproduzir muitas vezes. Os especialistas das emoções, Paul Ekman e Richard Lazarus em particular, identificaram um determinado número de emoções fundamentais, dentre as quais a alegria, a tristeza, a raiva, o medo, a surpresa, o desgosto e o menosprezo – reconhecíveis pelas expressões faciais e reações fisiológicas bem caracterizadas -, às quais se juntam o amor, a compaixão, a curiosidade, o interesse e os sentimentos de vergonha e culpa. No decorrer dos dias, o acúmulo dessas emoções momentâneas influencia nossos humores, e a reiteração dos humores modifica pouco a pouco nossas disposições mentais, nossos traços de caráter.”

Matthieu Ricard, em “A revolução do altruísmo”.

Leia também: Emoções positivas: cultive sentimentos construtivos.

Alguns links que estou para postar faz tempo sobre esse excelente livro:

E também esse vídeo, do canal do Buda Virtual:

Imagem no topo: Grzegorz Mleczek, CC0.

Altruísmo deixa seu corpo mais saudável do que a felicidade

Outra pesquisa não tão nova (2013), mas bastante interessante:

gandhi1“… Já na turma dos altruístas que tinha (e cumpria) um propósito de vida, felizes ou não, o cérebro reagia de modo diferente: liberava o sistema imunológico contra vírus. Ou seja, eles corriam menos risco de desenvolver doenças que nascem das inflamações, como o câncer.” Continue lendo…

Como o altruísmo pode fazer você (e o mundo) mais feliz

Trecho de um artigo de maio deste ano da revista Exame, quando Matthieu Ricard esteve em São Paulo, divulgando o livro "A revolução do altruísmo":

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“Nós sabemos que há egoísmo no mundo, mas o maior erro é pensar que somente há egoísmo”, afirmou. A falsa ideia de que o mundo está permeado de pessoas que só pensam em si mesmas é, na opinião do monge, em parte criada pela mídia, que prioriza as notícias ruins e catastróficas nos noticiários.

“Vi uma pesquisa interessante que diz que um jovem do Reino Unido, aos 20 anos de idade, já ‘viu’ cerca de 40.000 assassinatos por meio da mídia. Isso não é a vida. Nós precisamos parar com isso”, disse, chamando atenção para o fato de que não há estudos que comprovem que o ser humano é egoísta por natureza. “Há somente uma ideia, um preconceito”. 

http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/noticias/como-o-altruismo-pode-fazer-voce-e-o-mundo-mais-feliz

Empatia, altruísmo e compaixão

Emocionar-se com o sofrimento do outro, sofrer por ele estar sofrendo, ficar alegre quando ele está alegre e triste quando ele está aflito, demonstram ressonância emocional.

Por outro lado, distinguir as causas imediatas ou duradouras, superficiais ou profundas dos sofrimento do outro e ter a determinação de solucioná-los vêm da sabedoria e da compaixão “cognitiva”. Esta última está ligada à compreensão das causas do sofrimento. Com isso, sua dimensão é mais ampla e seus efeitos maiores.

Esses dois aspectos do altruísmo, emocional e cognitivo, são complementares e não constituem duas atitudes mentais separadas e estanques. Em algumas pessoas, num primeiro momento, o altruísmo ganha a forma de uma experiência emocional mais ou menos forte, suscetível de transformar-se em seguida em altruísmo cognitivo no momento em que a pessoa começa a analisar as causas do sofrimento. No entanto, o altruísmo permanece restrito se for limitado unicamente ao componente emocional.

Matthieu Ricard, em “A revolução do altruísmo”, parte 1.

Dalai Lama: chegou a hora de uma espiritualidade e ética que estejam além da religião

Trecho do livro "Beyond Religion" (2011), em que o Dalai Lama explica sua proposta de ética secular -- que basicamente é a mesma aqui de nossa Ação para Felicidade, movimento do qual ele é o patrono.

… Apesar de avanços tremendos em tantas áreas, hoje há ainda grande sofrimento, e a humanidade continua a enfrentar dificuldades e problemas. Enquanto nas regiões mais prósperas do mundo as pessoas desfrutam de estilos de vida com consumo refinado, ainda há incontáveis milhões de pessoas cujas necessidades básicas não são atendidas. Com o fim da Guerra Fria, a ameaça da destruição nuclear global recuou, mas muitos continuam a enfrentar o sofrimento e tragédia de conflitos armados. Em muitas áreas também, pessoas têm que lidar com problemas ambientais que ameaçam seu sustento ou algo pior. Ao mesmo tempo, muitos outros estão lutando para sobreviver diante da desigualdade, corrupção e injustiça.

Esses problemas não se limitam aos países em desenvolvimento. Nos países mais ricos também há muitas dificuldades, incluindo problemas sociais amplamente disseminados: alcoolismo, abuso de drogas, violência doméstica, desagregação familiar. As pessoas estão preocupadas com seus filhos, sua educação e o que o mundo reserva para eles.

Agora também temos que reconhecer a possibilidade de que nós humanos estamos danificando o planeta de um modo que não terá mais volta, uma ameaça que cria ainda mais medo. E todas as pressões da vida moderna trazem junto estresse, ansiedade, depressão e cada vez mais solidão. Como resultado, em todos lugares que vou, as pessoas estão reclamando. Mesmo eu me pego reclamando de vez em quando!

É bem óbvio que alguma coisa está perigosamente faltando no modo como nós humanos estamos fazendo as coisas. Mas o que é que está faltando? O problema fundamental, acredito, é que em todos os níveis estamos dando atenção demais para os aspectos externos e materiais da vida, enquanto negligenciamos a ética moral e os valores internos.

Por valores internos me refiro às qualidades que todos apreciamos nos outros, e sobre os quais todos temos um instinto natural, herdado em nossa natureza biológica, como animais que sobrevivem e prosperam somente em um ambiente de cuidado com o outro, afeição e bom coração — em uma única palavra: compaixão.

A essência da compaixão é um desejo de aleviar o sofrimento dos outros e promover seu bem-estar. Esse é o princípio espiritual à partir do qual todos os outros valores internos positivos surgem. Todos nós apreciamos nos outros as qualidades internas da gentileza, paciência, tolerância, perdão e generosidade; e do mesmo modo todos temos aversão a expressões de ganância, maldade, ódio e intolerância. Então, a promoção ativa das qualidades internas positivas do coração humano, que surgem de nossa disposição interna em direção à compaixão, e o aprendizado sobre como combater nossas tendências mais destrutivas serão apreciados por todos. E os primeiros beneficiários de tal fortalecimento dos valores internos serão, sem dúvida, nós mesmos. Ignoramos nossas vidas interiores sob nosso próprio risco, e muitos dos maiores problemas que temos hoje no mundo são resultado de tal negligência.

Então, o que faremos? Para onde devemos nos voltar em busca de ajuda? A ciência, apesar de todos os benefícios que trouxe ao nosso mundo externo, ainda não forneceu o embasamento científico para o desenvolvimento das fundações da integridade pessoal — os valores humanos internos básicos que apreciamos nos outros e que, se cultivássemos em nós mesmos, seria ótimo.

Talvez precisemos buscar valores internos na religião, como as pessoas têm feito por milênios? Certamente a religião ajudou milhões de pessoas no passado, ajuda milhões hoje e continuará a ajudar milhões no futuro. Mas, apesar de todos os benefícios ao oferecer orientação moral e significado na vida, no mundo secular atual a religião sozinha não é mais algo adequado como uma base para a ética. Uma razão para isso é que muitas pessoas não mais seguem uma religião em particular.

Outro motivo é que, com as pessoas do mundo se tornando cada vez mais intimamente interconectadas em uma era de globalização e sociedades multiculturais, a ética baseada em uma religião específica teria apelo apenas para alguns de nós; ela não seria importante para todos. No passado, quando as pessoas viviam em relativo isolamento umas das outras — como nós tibetanos vivemos bem felizes por muitos séculos, atrás de nossa muralha de montanhas — o fato de alguns grupos terem uma ética baseada na religião não apresentava nenhuma dificuldade. Hoje, contudo, qualquer resposta para o problema de nossa negligência com os valores humanos, que se baseie em uma religião, jamais será universal, portanto será inadequada.

O que precisamos hoje é uma abordagem para a ética que não dependa da religião e que possa ser igualmente aceitável por crentes e descrentes: uma ética secular.

Essa declaração pode parecer estranha vinda de alguém que desde muito cedo vive como um monge em mantos. No entanto, não vejo nenhuma contradição aqui. Minha fé me força a me esforçar pelo bem e benefício de todos os seres sencientes; e estender-me além de minha própria tradição, em direção às pessoas de outras religiões ou de nenhuma, está totalmente de acordo com isso.

Estou confiante que é tanto possível quanto valioso tentar uma nova abordagem secular para a ética universal. Minha confiança vem da convicção de que todos nós seres humanos basicamente temos uma inclinação ou disposição para o que percebemos como bom. O que quer que façamos, fazemos porque pensamos que haverá algum benefício. Ao mesmo tempo, todos apreciamos a bondade dos outros. Somos todos, por natureza, orientados em direção aos valores humanos básicos do amor e compaixão. Todos preferimos o amor dos outros do que seu ódio. Todos preferimos a generosidade dos outros do que sua mesquinharia. E quem entre nós não prefere tolerância, respeito e perdão por nossas falhas do que intolerância, desrespeito e ressentimento?

fbNessa visão, tenho a firme opinião de que temos ao nosso alcance um caminho e um modo para fundamentar valores internos que não contradizem nenhuma tradição religiosa e, ainda assim, de modo crucial, não dependem de religião.

Devo deixar claro que minha intenção não é ditar valores morais. Fazer isso não teria nenhum benefício. Tentar impor princípios morais à partir de fora, impô-los com ordens, jamais será eficaz. Em vez disso, convoco cada um de nós para chegarmos ao nosso próprio entendimento sobre a importância dos valores internos. Porque são esses valores que são a fonte tanto de um mundo eticamente harmonioso, quanto do nível individual da paz de espírito, confiança e felicidade que todos procuramos.

Obviamente que todos as religiões principais do mundo, com sua ênfase no amor, compaixão, paciência, tolerância e perdão, podem e, de fato, promovem valores humanos. Mas a realidade do mundo hoje é que basear a ética na religião não é mais adequado. É por isso que acredito que chegou a hora de encontrarmos uma maneira de pensar sobre espiritualidade e ética que esteja além da religião.

… a mudança efetiva da sociedade só virá através do esforço dos indivíduos: uma parte-chave de nossa estratégia para lidar com esses problemas deve ser a educação da próxima geração. … tenho esperança de que chegará o tempo em que possamos tomar como garantido o fato de que as crianças aprenderão, como parte do currículo escolar, sobre o caráter indispensável de valores como amor, compaixão, justiça e perdão.

junte-se… Para criarmos esse mundo melhor, portanto, que todos nós — idosos e jovens, não como membros deste ou daquele país, desta ou daquela fé, mas simplesmente como membros desta grande família humana de sete bilhões de pessoas — nos esforçemos juntos com visão, coragem e otimismo. Este é meu humilde apelo.

Dentro da escala temporal do cosmos, a vida humana não é mais que um minúsculo piscar. Cada um de nós é um visitante neste planeta, um convidado, que tem um tempo limitado para ficar. Que tolice maior haveria do que gastar esse curto tempo de modo solitário, infeliz e em conflito com nossos visitantes companheiros? Muito melhor, certamente, é usar nosso curto tempo buscando uma vida significativa, enriquecida pelo sentimento de conexão e serviço para os outros.

Até agora, do século 21 apenas uma década se foi; a maior parte ainda está por vir. É minha esperança que este seja um século de paz e de diálogo — um século em que uma humanidade mais cuidadosa, responsável e compassiva vai emergir. Esta também é minha prece.

Leia também:

dalai-lama-meditating2Dalai Lama ensina meditação sem crenças

Imagem no topo: Jan Michael Ihl, Flickr/CC.

Não se engane: o retrato da humanidade que a mídia pinta não é fiel

Trancados em nossos casulos privados, a mídia passou a ser a principal maneira de imaginar como são as outras pessoas, e, como consequência, esperamos que todos os estranhos sejam assassinos, golpistas ou pedófilos — o que reforça o impulso de confiar apenas nos poucos indivíduos que já foram selecionados por redes familiares e de classe.

Naquelas raras ocasiões em que as circunstâncias (nevascas, tempestades) conseguem romper nossas bolhas herméticas e nos jogam junto a pessoas que não conhecemos, tendemos a nos maravilhar quando os concidadãos demonstram pouco interesse em nos cortar ao meio ou em molestar nossos filhos e que podem até mesmo ser surpreendentemente gentis e se mostrar dispostos a ajudar.

Alain de Botton, em “Religião para ateus”, cap. 2.

A importância da lucidez

O altruísmo deve ser iluminado pela lucidez e sabedoria. Não se trata de consentir indistintamente com todos os desejos e caprichos dos outros. O amor verdadeiro consiste em associar uma benevolência sem limites ao discernimento sem falhas. Definido desse modo, o amor deve considerar todos os pormenores de cada situação e se perguntar: “Quais são os benefícios e os inconvenientes a curto e a longo prazo do que eu vou fazer? Meu ato irá afetar um pequeno ou grande número de indivíduos?” Transcendendo qualquer parcialidade, o amor altruísta deve considerar lucidamente a melhor maneira de realizar o bem para os outros. A imparcialidade exige não favorecer alguém pelo simples fato de sentir mais simpatia por uma pessoa do que por outra que também se encontra em necessidade, talvez muito maior.

Matthieu Ricard, “A revolução do altruísmo”, parte 1

Ação para Felicidade: sumário prático

Este texto é um sumário rápido da abordagem que o movimento Ação para Felicidade oferece para termos mais satisfação e bem-estar na vida, ao mesmo tempo em que contribuímos para a criação de uma sociedade mais feliz e humana.

1. Compromisso

Tudo começa com o compromisso de tentarmos criar mais felicidade e menos infelicidade ao redor (note o “tentarmos”: a intenção é o que conta). Basicamente isso é o que todos queremos: felicidade e não sofrimento. Então, por que não trabalhar por isso? Mas o objetivo não é beneficiar apenas a nós mesmos: para isso não é preciso nenhum compromisso, é o que já fazemos — e não está dando muito certo.

Ao perseguir exclusivamente o próprio prazer, de modo egoísta, acabamos criando sofrimento ao redor (e, no final, para nós mesmos). A perspectiva altruísta pode ser mais eficaz, coisa que estudos científicos já demonstraram.

Esse compromisso de tentarmos criar felicidade e menos infelicidade ao redor é a base e o único requerimento para se fazer parte do movimento. No entanto, apenas preencher o formulário online provavelmente não será suficiente. Esquecemos facilmente. E mesmo se lembrarmos, como exatamente faremos isso?

2. 10 chaves

Sugerimos como base para a implementação desse compromisso as “10 chaves para uma vida mais feliz”. Esse título parece o daqueles livros da $eção de auto-ajuda das livrarias. Mas não se engane com a primeira impressão: trata-se de conhecimento advindo de pesquisas científicas, e não temos nenhum interesse financeiro ao divulgar essas informações.

Cada uma das “10 chaves” está explicada de maneira extensa e detalhada. Contudo, sobre coisas mais práticas também temos diversas sugestões…

3. Ações

As ações sugeridas se baseiam direta ou indiretamente nas “10 chaves”. Elas também podem parecer mera auto-ajuda, mas a mesma diferença fundamental se aplica: há embasamento científico sólido e ninguém está ganhando dinheiro com isso.

Escolha uma dessas ações e experimente. Há uma chance bastante significativa de uma mudança positiva começar a emergir. O grande obstáculo é: por um motivo ou outro, no final não praticamos. Ou nos contentamos em apenas ler, pensando que não precisamos chegar a fazer isso e aquilo; ou nos sentimos envergonhados, desajeitados etc. E se fazemos, logo largamos, mesmo após bons resultados. Precisamos de um reforço…

4. Grupo de apoio

Ao se juntar a um grupo local, fazer tudo isso fica mais fácil. Estímulos positivos vêm de todos os lados, tornando a prática eficaz. Por exemplo:

  • Nosso compromisso agora tem testemunhas, a quem podemos tanto dar quanto receber apoio.
  • Ao discutirmos como estamos tentando realizar alguma ação, isso cria um reforço parecido com o de estudar em grupo: sair-se bem na prova se torna algo mais provável, fácil e divertido até.
  • Estar junto com pessoas com o mesmo ideal é outro fator que facilita bastante o processo. Não estamos sozinhos contra a corrente.
  • As reuniões trazem a sensação nítida de que somos um movimento vivo, feito de pessoas que influenciam outras pessoas: não se trata apenas de informações na internet.

5. Propagação

Ao fazermos tudo isso, certamente haverá um efeito no mundo (e, claro, em nós mesmos). Nossas ações — muito mais do que nossas opiniões — afetam direta ou indiretamente as pessoas com quem convivemos.

E podemos ainda ir além, espalhando essas ideias e atitudes — não necessariamente em relação ao movimento Ação para Felicidade, mas sobre a importância de um compromisso pessoal com valores humanos como o altruísmo, e de trabalharmos todos pela criação de uma sociedade mais humana.

Imagem no topo: popofatticus, Flickr/CC.

Altruísmo entre animais (como o Homo sapiens)

O vídeo acima é bastante surpreendente em diversos aspectos. E há muitos outros hits da internet nessa categoria: a cadela que adotou um bebê humano abandonado, golfinhos protegendo nadadores desavisados contra tubarões, o gorila que salva o corvo se afogando etc…

Uma reação bem comum a esses vídeos é a frase: “esses animais são melhores que humanos”, ou “se pelo menos as pessoas fossem assim…”. Pode parecer algo positivo e esperançoso, mas é uma maneira de ver bastante pessimista (com a desvantagem de não ser exatamente realista). Nessa visão, estamos isolados e separados desse tipo de comportamento, como se fosse algo impossível para as pessoas.

Na verdade, o que esses vídeos exemplificam é exatamente o contrário: nós também somos animais! E os mesmos instintos de cooperação, altruísmo e compaixão que deram vantagens evolutivas a essas espécies estão em nós. Se soltarmos um pouco a competição exagerada, a suspeita paranóica sobre todos e o egoísmo crônico que de algum modo aprendemos — sem saber que isso pode ser desfeito — há um instinto de cooperação naturalmente presente: não precisa ser aprendido, já está aqui. Mas é preciso evitar cultivar aquilo que o obscurece: por exemplo, o ódio ou egoísmo — e isso sim precisa ser aprendido.

Diversos estudos científicos apontam para a presença natural desse instinto altruísta em humanos e animais.

Por exemplo, veja o vídeo abaixo, do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology:

Nesse outro vídeo, Frans de Waal mostra exemplos e comenta sobre a “moralidade” de alguns animais:

 

O próprio Charles Darwin identificou diversos desses comportamentos e escreveu sobre a vantagem evolutiva que a cooperação dá às espécies, embora hoje em dia a maioria use a teoria da evolução para falar sobre “a lei do mais forte”, “cada um por si” etc, em uma justificativa sem base para a injustiça e a exploração alheia.