Está passando por dificuldades? Precisa de ajuda?

Se está sofrendo com ansiedade ou depressão, ou apenas tendo dificuldade de lidar com uma situação difícil, você não está sozinho. Uma em cada quatro pessoas entre nós vai ter problemas de saúde mental em algum ponto da vida.

A primeira medida deve ser procurar um médico, com quem você pode descobrir quais terapias e tratamentos estão disponíveis. Ele poderá te encaminhar ao tratamento apropriado.

Não se preocupe sobre recorrer a um médico; ele está lá para ajudar a reestabelecer sua saúde tanto mental quanto física. A maioria dos médicos todo dia vê pessoas se sentindo ansiosas, deprimidas ou que não estão conseguindo lidar com uma situação difícil e que precisam falar com alguém.

Para ajudar, seu médico vai tentar descobrir o que está te perturbando. Pode ser qualquer coisa, desde estresse no trabalho, problemas de relacionamento ou ter que conviver com uma doença crônica.

Tipos de apoio

  • Psicoterapia – Qualquer pessoa pode solicitar seu médico por uma terapia de diálogo. Exatamente para que tipo de terapia você será encaminhado depende do problema. Veja a seção abaixo para mais informações sobre diferentes tipos de terapia.
  • Medicamento – Se você e seu médico concordarem que medicação pode ajudar, há várias opções que podem ser úteis em condições como ansiedade, depressão, insônia, mania e outros problemas mentais.
  • Cuidado especializado – Problemas mais sérios como transtorno bipolar e esquizofrenia exigem cuidados especializados, e você será encaminhado para o psiquiatra do hospital local e/ou a profissionais de saúde mental do posto de saúde local.
  • Emergências – Em uma situação de emergência, se seu posto de saúde local estiver fechado, vá para a seção de acidentes e emergências de um hospital e peça para ver o psiquiatra de plantão.

Se estiver pensando em suicídio, é importante conversar com alguém que você confia — por exemplo, um parente, amigo ou professor. Diga a seu médico quem poderá dar o apoio que você precisa, ou você pode ligar para o CVV, sendo que muitas das linhas locais de atendimento no Brasil funcionam 24 horas.

Terapias de diálogo

“Terapia de diálogo” é um gênero amplo, que cobre todos os tipos de terapia psicológica que envolvem uma pessoa conversando com um terapeuta sobre seus problemas.

Para alguns problemas e condições, assim como diferentes tipos de personalidade, um tipo de terapia pode ser melhor que outro (informe o terapeuta se você tiver alguma preferência). Abaixo está uma breve explicação sobre cada tipo de terapia e as situações em que elas podem ser úteis.

Aconselhamento

Provavelmente este é o tipo mais conhecido de terapia e o mais prontamente disponível [na Inglaterra]. O aconselhamento geralmente consiste em seis ou doze sessões de uma hora de duração. Você conversa privadamente, sob sigilo, com um conselheiro sobre como se sente e qual é sua situação. O conselheiro dá seu apoio ao ouvir ativamente.

O aconselhamento é ideal para pessoas basicamente saudáveis mas que precisam de ajuda para lidar com alguma crise recente, como raiva recorrente, problemas de relacionamento, luto, desemprego ou o início de uma doença séria.

Terapia cognitiva comportamental (TCC)

O objetivo da TCC é ajudá-lo a pensar de modo menos negativo, para que em vez de se sentir desolado e deprimido, você passe a lidar melhor e até a tirar proveito das situações que aparecerem. Na TCC, você define metas com o terapeuta e realiza tarefas entre as sessões. O processo geralmente envolve entre seis e 15 sessões, de uma hora cada. Como no aconselhamento, a TCC lida mais com situações presentes do que com eventos do passado ou memórias de infância.

Muitas pesquisas têm sido feitas nessa área, e foi demonstrado que a TCC funciona para uma variedade de problemas de saúde mental. Em particular, pode ajudar a tratar depressão, ansiedade, ataques de pânico, fobias, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), estresse pós-traumático e alguns distúrbios alimentares, especialmente bulimia.

Além do tratamento com um terapeuta, há diversos livros que usam os conceitos da TCC para ajudá-lo a superar problemas comuns como depressão.

Psicoterapia

Diferentemente do aconselhamento e TCC, a psicoterapia envolve falar mais do passado para ajudá-lo a lidar com problemas que estiver tendo no presente. Tende a durar mais do que as duas terapias anteriores. Sessões também são de uma hora e podem continuar por um ano ou mais.

Há tipos diferentes de psicoterapia, mas todas têm o objetivo de ajudá-lo a entender melhor a si mesmo, aprimorar seus relacionamentos e aproveitar melhor a vida.

A psicoterapia pode ser especialmente útil para pessoas com problemas recorrentes ou de longo prazo para que possam encontrar a causa de suas dificuldades. Há evidências de que ela pode ajudar no tratamento da depressão e alguns distúrbios alimentares. Alguns psicoterapeutas trabalham em hospitais ou clínicas, em atendimento ambulatório. Já outros atuam privadamente.

Terapia familiar

Esse tipo de terapia pode ser oferecido quando a família toda está em dificuldade. Um terapeuta (ou um par) encontra a família toda. O terapeuta explora as visões e relacionamentos de todos para compreender os problemas que a família está passando. Isso ajuda os membros familiares a se comunicarem melhor. Sessões duram entre 45 e 90 minutos e, geralmente, acontecem com algumas semanas de intervalo.

A terapia familiar é útil para qualquer família em que uma criança, adolescente ou adulto (um pai ou avó, por exemplo) tiver um problema que afeta a todos. Terapeutas familiares atendem diversos tipos de casos, incluindo problemas comportamentais em crianças e jovens, doenças mentais, doença crônica e invalidez na família, separação, divórcio, adoção, violência doméstica e adicção.

Terapia de casal

Essa terapia pode ajudar relacionamentos em crise. Ambas as partes dialogam em sigilo com um conselheiro que explora o que está dando errado e o que mudar para que as coisas melhorem. Pode ajudar casais a entenderem as necessidades de cada um e a se comunicarem melhor. Idealmente, ambas as partes precisam comparecer às sessões de uma hora semanais, mas ainda é de ajuda se apenas uma das pessoas participar.

Terapia de grupo

Nesse tipo de terapia, entre oito e doze pessoas encontram juntas um terapeuta. É um modo útil para que pessoas com um problema em comum tenham apoio e aconselhamento mútuos. Ajuda cada um a entender que não está sozinho em seus problemas, o que por si só já é benéfico. Algumas pessoas preferem estar em um grupo assim do que em terapia individual.

A depressão é uma doença séria e bastante diferente da experiência comum de se sentir triste, infeliz, miserável ou entediado por um curto tempo. Quando você está deprimido, pode ter sentimentos de tristeza extrema que duram um longo período. São sentimentos graves o bastante para interferir com a vida diária, podendo durar semanas ou meses, em vez de dias.

Depressão é algo relativamente comum: uma a cada dez pessoas vão ter depressão em algum momento. Contudo, o número exato de pessoas com depressão é difícil de estimar pois muitos não buscam ajuda, assim não sendo formalmente diagnosticados como tendo essa condição.

O distúrbio pode afetar pessoas de qualquer idade, incluindo crianças. Estudos demonstraram que cerca de 4% das crianças entre 5 e 16 anos no Reino Unido são afetadas pela depressão. Pessoas com um histórico familiar de depressão, estão mais propensas a apresentar o problema.

O modo como as pessoas são afetadas é variado — há diversos sintomas físicos, mentais e sociais. Algumas pessoas ainda pensam que a depressão não é realmente uma doença, sendo uma forma de fraqueza ou admissão de fracasso. Isso simplesmente não é verdade. Depressão é uma doença real, com efeitos reais, e certamente não é uma indicação de fracasso.

Com o tratamento e suporte adequados, a maioria das pessoas pode se recuperar completamente da depressão. É importante procurar a ajuda médica, se você pensa que pode estar deprimido.

Preocupado com alguém?

Se estiver preocupado com um amigo, colega ou parente, eles podem apreciar se você perguntar como eles estão.

Falar sobre um problema não é fácil. Você não precisa ser capaz de solucionar o problema ou mesmo apenas entender totalmente, mas escutar o que eles dizem vai fazer com que saibam que você se importa. Tente não fazer julgamentos sobre seu comportamento e pensamentos. Tente sentir empatia com a pessoa, em vez de apenas ser simpático. A empatia envolve reconhecer como eles se sentem, mas sem tentar ser o dono ou fazer julgamentos.

Aqui estão alguns sinais que sugerem que alguém pode precisar de ajuda:

  • comportamento irritadiço ou nervoso
  • mudança de rotina, como dormir ou comer menos
  • beber, fumar ou usar drogas, mais que o normal
  • mostrar-se desajeitado de modo não usual, ou vulnerável a acidentes
  • se retirar, não procurar amigos ou família
  • perder interesse na própria aparência; por exemplo, se vestir mal, parar de usar maquiagem ou não tomar banho
  • dizer coisas como “você não acreditaria no que eu tenho passado” ou “é como o mundo todo contra mim”. As pessoas às vezes dizem essas coisas esperando que você pergunte mais e elas possam falar
  • se autodepreciar de modo sério ou de brincadeira; por exemplo, “ninguém me ama”, ou “sou um desperdício de espaço”

Essa lista pode ser usada para indicar a você quando é hora de interferir, antes que o problema cresça mais. É útil conversar com alguém no começo, para lidar com a situação em seus estágios iniciais.

O que dizer?

O ato de escutar é a coisa mais benéfica que você pode fazer ao tentar ajudar alguém pensando em se suicidar. Não sinta que você precisa dizer alguma coisa ou dar conselhos. A melhor maneira de ajudar é fazer perguntas. Assim, você deixa a outra pessoa no controle. Ao ser indagada, a pessoa encontra suas próprias respostas.

Escutar ativamente é um modo de permitir às pessoas falar sobre seus sentimentos e trabalhar seus problemas. Embora você também fale alguma coisa, na verdade você está atuando mais como um amplificador sonoro. O que quer que diga não influencia o que a outra pessoa tem a dizer, apenas as ajuda a falar.

Perguntas úteis

  • Quando você percebeu isso?
  • Onde isso aconteceu?
  • O que aconteceu?
  • Como é a sensação?
  • Por que? – Tenha cuidado ao perguntar isso. Pode ter um tom de confronto, colocando a outra pessoa na defensiva. Perguntas mais eficazes são: “O que fez você decidir isso?” ou “O que você estava pensando na hora?”

Essas perguntas fazem a pessoa examinar honestamente os problemas que está vivenciando. Tente não dizer coisas que costumam levar a conversa para um beco sem saída, do tipo “eu sei como você se sente” ou “tente não se preocupar com isso”. A única coisa que você tem a fazer é iniciar a conversa. Ninguém espera que você tenha as respostas, mas isso não significa que você não está ajudando.

Ajuda profissional

Se alguém estiver se sentindo deprimido por um tempo maior, é uma boa ideia buscar ajuda, tanto conversando com um conselheiro ou obtendo ajuda prática com os problemas que estiver vivenciando. Organizações que podem ajudar incluem:

Para atendimento psicológico gratuito, procure por um Centro de Atenção Psicosocial (CAPS) em sua região.

Outros links
- Instituto de Psicologia - USP
- ABPC
- ABRAP

Imagem no topo: fotobias, CC0.