Reconheça três coisas boas por dia

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Pessoas que são gratas tendem a ser mais felizes, saudáveis e realizadas. Ser grato ajuda as pessoas a lidarem com o estresse e pode inclusive ter efeito benéfico no ritmo cardíaco. Além de ser fácil de realizar, esta ação teve seus benefícios comprovados cientificamente. Nos testes, as pessoas que experimentaram fazê-lo todas as noites por apenas uma semana se sentiam mais felizes e menos deprimidas após um, três ou seis meses.

Nas escrituras antigas até a mais recente ciência, a gratidão é reconhecida como algo que faz bem para nós e as pessoas ao redor. Entretanto, nem sempre ela é a nossa resposta automática; frequentemente, tomamos como garantidas as coisas boas em nossas vidas. Portanto, precisamos conscientemente desenvolver o hábito de ser gratos.

A ciência tem mostrado que a gratidão é importante para o quão bem nos sentimos psicológica e socialmente. Ela aumenta a quantidade de emoções positivas que sentimos e reduz as emoções negativas. Aumenta nossa satisfação geral com a vida e nos ajuda a ter uma visão geral positiva da vida. A gratidão também, demonstradamente, reduz as queixas de saúde e ajuda a lidar com as dificuldades. Ela inclusive parece reduzir o grau de importância que atribuímos aos bens materiais. E, contrário ao que tendemos a imaginar, há evidências de que ela também aumenta a nossa capacidade de alcançar objetivos.

Por que funciona? Temos uma tendência natural de focar naquilo que está errado em nossas vidas, frequentemente repassando várias vezes essas coisas em nossa mente. Somos rápidos em reparar até o menor dos problemas, e, no entanto, raramente gastamos tempo refletindo sobre as coisas boas. Coisas que nos trouxeram um rápido sorriso, ou nos fizeram sentir bem são com frequência esquecidas, e às vezes nem são notadas.

Esta ação é simples, mas incrivelmente poderosa. Trata-se de reservar um tempo para notar as coisas boas em nossas vidas, e se beneficiar mais delas. E mais: se os pais se lembrarem de falar sobre as coisas pelas quais são gratos, podem ajudar seus filhos a aprender a pensar sobre isso e, possivelmente, se beneficiar desse hábito de gratidão para o resto de suas vidas.

Por onde começar?

Esta ação envolve conscientemente gastar alguns minutos por dia focando em algumas das coisas boas que nos aconteceram. Ao fazê-lo, começamos a reparar o que está indo bem, bem como aquilo que não está dando certo em nossas vidas. Mesmo em um mau dia, há sempre algumas boas coisas acontecendo, ainda que pequenas.

  • Toda noite antes de se deitar, reflita sobre como foi o dia, e recorde três coisas boas que aconteceram – coisas que deram certo, que você gostou, ou pelas quais sentiu-se agradecido. Podem ser coisas pequenas (como por exemplo um sanduíche delicioso ou uma criança sorrindo no ônibus) ou algo de maior importância para você. Provavelmente, você notará que isso varia. Tente fazer este exercício por uma semana, para começar.
  • Anote – isto é importante. Talvez seja útil arranjar um caderninho para este exercício, ou um meio eletrônico.
  • Pense no porquê – para cada uma das coisas pelas quais você ficou agradecido, registre por que elas aconteceram e por que lhe fizeram se sentir bem. Pode parecer um pouco complicado inicialmente, mas você logo pega o jeito.
  • Olhe para trás – depois de uma semana, reveja o que escreveu. Como se sente ao ver todas essas coisas boas? Algum tema se destaca?
  • Continue – tente prosseguir pelo menos mais algumas semanas. Muitas pessoas descobrem que isso se torna um hábito para a hora de dormir. Depois de algum tempo, pode ser que você não precise fazê-lo toda noite – três vezes por semana, ou mesmo uma vez, podem ser suficientes. Você pode inclusive notar que começou a apreciar mais as coisas no momento em que elas estão acontecendo.

Exemplos

Veja alguns exemplos de coisas positivas, incluindo observações de por que elas aconteceram e por que foram boas:

  • “Encontrei por acaso o Davi. Não o via faz muito tempo. Tinha esquecido o quanto ele me faz rir.”
  • “Realmente gostei do almoço hoje. Foi muito bom passar 20 minutos no parque para conversar com a Jô, em vez de comer na minha mesa. Isso só aconteceu porque pensei que seria legal e sugeri – e a Jô adorou a ideia também!”
  • “Sensacional! As crianças fizeram a lição de casa sem eu precisar lembrá-las (demais). Isso aconteceu porque concordamos sobre uma hora mais calma depois do lanche… que está finalmente virando parte da rotina.”

Vídeo relacionado:

 

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Imagem no topo: Confield Doug, U.S. Fish and Wildlife Service, Wikimedia Commons/CC.

Referências
[1] Emmons, R.A., & Mishra, A. (2010, in press). Why gratitude enhances well-being: what we know what we need to know. In Sheldon, K., Kashdan, T., & Steger, M.F. (Eds.) Designing the future of positive psychology: Taking stock and moving forward. New York: Oxford University Press.
[2] Lyubomirsky, S., Sheldon, K. M., & Schkade, D. (2005). Pursuing happiness: The architecture of sustainable change. Review of General Psychology, 9, 111-131.
[3] Lyubomirsky, S. (2007). The How of Happiness. London: Penguin Books
[4] Park, N (2004). Character Strengths and Positive Youth Development. Annals of the American Academy of Political and Social Science, 591 p.40 - 54.
[5] Seligman, M. E. P., Steen, T. A., Park, N., & Peterson, C. (2005). Positive psychology progress: Empirical validation of interventions. American Psychologist, 60, 410-421.