Superar a depressão e a ansiedade

lucy_roberts_2_100x100Lucy Roberts descobriu maneiras práticas para ajudar a superar seus problemas de depressão e ansiedade. Agora ela trabalha com a Ação para Felicidade, ajudando os outros a fazerem o mesmo. A seguir, ela conta sua experiência:

Travei uma longa batalha interna com a depressão e ansiedade. Comecei a trabalhar para a Ação para Felicidade [na Inglaterra] por que foi a única organização que encontrei que promovia as estratégias que utilizei para superar meus próprios problemas.

Por isso achei que poderia ser útil escrever um pequeno artigo explicando algumas das maneiras como as “10 chaves para uma vida mais feliz” me ajudaram, na esperança de que possa ajudar outras pessoas também. Isso é muito pessoal, cada um é diferente, e o que serve para um pode não servir para o outro.

Em primeiro lugar, sugiro tentar diversas abordagens criativas e adaptar ideias para que lhe sirvam, até que você encontre uma combinação que funcione. E não desista. Depressão é uma doença cuja recuperação é gradual, que pode com frequência aparecer mais de uma vez em nossas vidas. Costumo pensar que tudo é uma questão de perseverar e reconhecer cada pequena vitória, não importa quão pequena, como um grande progresso.

Gostaria de enfatizar também que não há vergonha nenhuma em ter depressão e ansiedade. São doenças como outras quaisquer — as pessoas não se sentem constrangidas por ter câncer ou diabetes. Ao invés disso, tenha orgulho de sua batalha constante para superá-las.

Ainda preciso me esforçar muito para me manter bem. Vou a grupos de terapia e construí uma grande rede de apoio, que uso constantemente. E continuo tentando fazer todas as coisas que listei abaixo. Tenho orgulho dessas realizações.

10 chaves para superar a depressão e ansiedade

Pessoalmente, acredito que concentrar-se na depressão pode ser algo deprimente em si mesmo, então prefiro focar na felicidade. Adoro a psicologia positiva, já que ela se foca no que faz as coisas darem certo, ao invés de abordar o que faz as coisas darem errado.

A maioria das estratégias que utilizei estão descritas nas “10 chaves para uma vida mais feliz”. Vou explicar um pouco sobre o que fiz em cada chave:

  • Doação (faça algo pelos outros). Achei muito útil focar em outras pessoas e no mundo além de mim o tanto quanto possível. A depressão vive em meu “eu”, então tento passar meu “tempo mental” em algum outro lugar. Fazer o bem para outros também ativa os “centros de recompensa” em nossos cérebros, fazendo o doador se sentir bem também. Por exemplo, acho que me sinto melhor dando presentes do que recebendo-os, você não acha?

  • Relações (conecte-se com pessoas). Ter pessoas boas e positivas ao redor e me conectar com novas pessoas boas provavelmente foi a coisa que mais aliviou minha depressão. Conheci pessoas ótimas através de grupos de apoio e ao voluntariar meu tempo livre. Depressão é uma doença de isolamento, e eu tento me esforçar para evitar isso.

  • Exercício (cuide do seu corpo). Pode ser muito difícil quando tudo o que você quer fazer é ficar na cama, mas de fato vale a pena pelas endorfinas. Mesmo uma breve caminhada até a loja da esquina ajuda, ainda mais se você trocar algumas palavras com o caixa quando chegar lá.

  • Atenção (note o mundo ao redor). Trata-se de perceber o que está acontecendo ao seu redor e todas as coisas boas do mundo. Praticar atenção plena ajuda muito, e eu recomendaria o site Headspace e o vídeo de Mark Williams [ambos apenas em inglês].

  • Aprendizado (continue aprendendo coisas novas). Isso também nos ajuda a apreciar o mundo ao redor, e aumentar nossa confiança sobre todas as coisas diferentes que somos capazes de fazer e desfrutar. Me ajudou a sair da rotina em que me encontrava, principalmente quando eu percebia que aprender na verdade é sobre cometer erros — e não importa quais, desde que você tente.

  • Direção (tenha objetivos em mente). Objetivos ajudam bastante, assim como desmembrá-los em pequenas etapas para que fiquem menores e mais administráveis. Quando eu estava realmente deprimida, meu único objetivo no dia era sair de casa para comprar leite, ou qualquer coisa do tipo. Se eu conseguisse alcançar esse objetivo, eu teria alcançado algo naquele dia.

  • Resiliência (encontre maneiras de reagir e continuar). Você sabia que algumas pessoas de fato crescem com experiências traumáticas? Chamado de “crescimento pós-traumático”, isso está diretamente ligado à maneira como a pessoa está condicionada a lidar com estresse. Usando a terapia cognitiva comportamental (TCC), do sistema de saúde, trabalhei para me “re-condicionar”. No entanto, nem todas as terapias funcionam para todas as pessoas, assim como os terapeutas. Se a TCC não funcionar para você, existem muitas outras terapias que você pode tentar e se não gostar do terapeuta, pode ser simplesmente uma questão de personalidade, então busque um novo. Uma receita médica para antidepressivos também pode ajudar, principalmente no curto prazo, enquanto você aguarda que os benefícios das outras estratégias façam efeito.

  • Emoções positivas (cultive sentimentos construtivos). A TCC pode ajudar bastante nisso, já que ajuda a focar mais no positivo e a perceber que muitas das coisas que imaginamos serem bastante negativas, no final, não têm tanta importância. Outra maneira de treinar seu cérebro é escrever diariamente uma lista de gratidão, com três boas coisas que aconteceram antes de deitar-se, e ler novamente na manhã seguinte.

  • Aceitação (esteja bem consigo mesmo). Entendi que é muito importante me aceitar como sou, e parar de me comparar com o que as outras pessoas aparentam. Nós todos temos nossas próprias forças, e foi importante para mim compreender o que eu tenho a oferecer. Se você quiser descobrir quais são as suas qualidades e pontos fortes, o questionário do VIA Institue pode ajudar — para mim foi muito útil.

  • Propósito (seja parte de algo maior). Acho que é muito importante encontrar algum significado e propósito na vida. Perguntei a mim mesma as questões: “No que acredito?” (minhas respostas foram algo como honestidade, amor e gentileza); “O que eu tenho para oferecer ao mundo?” (o questionário sobre pontos fortes me ajudou com isso: descobri que sou brincalhona, criativa e entendo um pouco sobre superar a depressão). E então decidi ser parte de algo maior, usando essas habilidades em meu trabalho. Claro que não precisa ser um trabalho, pode ser um hobby, ou um tempo de retiro individual para conectar-se com o mundo maior… mas encontrei algo nessa área que realmente me ajuda a ter um sentimento de propósito e alegria de estar viva.

Além de tudo isso, sugiro esses livros para ajudar na superação da depressão:

Lucy Roberts trabalha no movimento Ação para Felicidade (na Inglaterra) desde dezembro de 2011. Ela cuida dos grupos locais e ajuda as pessoas a organizarem o curso de oito semanas.

Publicado originalmente em 06/01/2015, no site Action for Happiness.

Imagem no topo: Brocken Inaglory, Wikimedia Commons/CC.